Entrevista exclusiva com Edmar Bull - Presidente Abav Nacional


O presidente nacional da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV), Edmar Bull, esteve em Belém na última quarta-feira (24) para proferir palestra sobre o projeto “ABAV de Portas Abertas”. Durante o encontro, que reuniu agentes de viagens, operadores, governo e entidades de classe, ele destacou que a última vez que passou na cidade foi em 1978 e se mostrou bastante surpreso com o que viu em Belém, além de estar muito impressionado com a receptividade que lhe acolheu.

Confira a entrevista concedida à jornalista Isa Arnour.
IA: Como você vê o turismo neste atual cenário do Brasil, de crise econômica e política? E as perspectivas?
EB: Estamos com uma perspectiva de crescer acima de dois dígitos este ano, no ano passado o crescimento foi de 4,8% de turistas estrangeiros, recebemos 6,6 milhões de visitantes. (Na economia o crescimento foi de 6,2% com uma receita de US$ 6,2 bilhões). A crise política se resolvendo a máquina do turismo vira muito rápido. Você observa pelo mundo que a maioria dos lugares que tiveram crises econômicas, o que tirou da crise foi o turismo, por exemplo, Portugal, Espanha e o próprio Estados Unidos. O turismo ajudou muito esses países porque ele está ligado a 54 segmentos da nossa economia.

IA: Quais são os atrativos do Brasil para trazer mais turistas? A questão do visto e dos cassinos nos impede de termos mais turistas?
EB: Se o Brasil tirar a obrigatoriedade do visto, – o que ocorreu durante as Olimpíadas como teste, e deu certo –, será um grande avanço. Tiraremos a burocracia, porque no mundo inteiro é assim, por exemplo, os Estados Unidos que mantem um consulado no Brasil, toda a receita financeira que é gerada no consulado com as taxas de visto não é usada para manter o consulado, este recurso volta para os Estados Unidos, o consulado independe desta receita para sua manutenção. No Brasil, ocorre diferente, quem mantém as embaixadas e consulados nos outros países são as receitas financeiras geradas pelo visto. Isto tem que mudar, porque cada turista que entra no Brasil deixa de receita muito mais que a taxa que ele deixou no país de origem pelo visto. É muito comum você vê o turista dizer que não vem para cá por causa da burocracia de tirar o visto e ele opta em ir para outro lugar. E, os cassinos, você ver que a maior parte dos países tem cassinos aberto, para funcionar aqui é só regulamentar, criar uma lei para ser cumprida, que nós vamos deixar muitos brasileiros felizes de não ter que irem a outros países fazer jogo.

IA: O turismo de negócios no Pará é o que atrai mais turistas para cá. Na sua concepção o quê o Pará pode fazer para melhorar neste segmento e se tornar atrativo, também, para o turismo de lazer?
EB: Os Conventions Bureaus têm trabalhado bastante isso. Acho que a ABAV pode ajudar, inclusive prometi ao Secretário de Estado de Turismo [Adenauer Goes] – que vai me mandar umas apresentações do Pará –, que quando eu estiver pelo país falando do nosso projeto “ABAV de Portas Abertas”, irei também mostrar um pouquinho mais do Pará e toda esta infraestrutura que tem aqui para atender os eventos. E, pedir para as companhias aéreas, porque o transporte é essencial. Então, uma coisa leva a outra. Você consegue trazer o aéreo, consegue dar uma inserção, melhorar a taxa de combustível, a taxa aeroportuária e assim traz mais turista que vai reverter em recursos financeiros para a própria cidade. Isto é um mecanismo, uma roda que tem que ser feita para poder ajudar os eventos de negócios. E nós precisamos hoje de destinos novos, e o Pará é um destino novo para trazer eventos que a cidade comporte.

IA: O que é a “ABAV de Portas Abertas” e quais os projetos da entidade para este ano?
EB: Nós tínhamos 50 ações quando assumi a ABAV e hoje já estamos em 89 ações revertendo para as ABAV´s estaduais. A ABAV/Nacional prepara tudo e entrega para as ABAV´s estaduais entregarem para seus associados. E o projeto de “Portas Abertas” vem mostrar o que a ABAV faz, porque a maior parte dos agentes, principalmente aqueles que não são associados, sempre perguntam: O que a ABAV faz por mim? Eles não têm ideia o que trabalhamos na ABAV. Eu, por exemplo, sou voluntário, mas está no meu sangue a ABAV, está no meu sangue o turismo. E se cada um der um pouquinho de si? A gente precisa de pessoas; sem as pessoas não somos nada.

A Feira Nacional da ABAV será de 25 a 29 de setembro próximo, em São Paulo, que virou uma feira de negócios, de capacitação, treinamento e tecnologia. Então, toda agência de viagem tem que trabalhar muito nesses três pilares: capacitação, tecnologia e treinamento. Uma coisa está ligada a outra. As agências que trabalham neste foco, o cliente final terá como obter toda a informação que precisa. Por exemplo, como explico Belém? Tenho que entender de Belém. Eu não conhecia a Estação das Docas que parece com o Porto Madero, Argentina, que eu não conhecia, e agora já vou falar para todo mundo: lá tem uma gastronomia extraordinária e uma Estação das Docas fantástica!

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